Carta ao Governador do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007
Caro Sr. Governador Sérgio Cabral Filho,
Basta. Não podemos mais viver acuados por seres inumanos fortalecidos pela complacência de uma sociedade inerte, que isenta de remorso os bandidos e seus crimes. Nós, cidadãos de bem que trabalhamos, estudamos, pagamos impostos, vivemos aterrorizados, perdemos a liberdade de ir e vir, estamos perdendo a posse de nossa cidade, criando artifícios de sobrevivência para nós e para nossas famílias, diante da omissão e ausência do poder público. Queremos recuperar nossos direitos. Queremos recuperar nossa cidade.
Precisamos de um governo que veja e que faça. Não queremos ações paliativas para anestesiar o medo, a náusea, a vergonha. A bárbara tortura e o cruel assassinato de João Hélio não foram os únicos atos de violência a que assistimos nos últimos tempos. Lembremos de Gabriela Prado, Tim Lopes, outros filhos e pais, outras mães, bebês, parentes, amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos, autoridades e famosos, também vítimas de assaltos, balas perdidas, milícias, arbitrariedades de todo tipo. Chega. Queremos voltar a nos sentirmos humanos. É nosso direito e dever fazer cumprir a lei. Queremos fazer mais do que sair às ruas em passeatas ou ‘panelaços’. A vigilância e a repressão são necessárias, mas é preciso agir em várias frentes.
Estamos esperançosos em sua gestão, que se anuncia humanizada, coerente e consistente com os princípios democráticos fundamentais. Por isso, trazemos aqui a V. Exa. a proposta de criar Comissões Autônomas, chanceladas pelo Governo de nosso Estado e em ligação direta e permanente com seus representantes.
As Comissões Autônomas serão constituídas por ‘cidadãos auxiliares’, alheios a interesses pessoais, políticos ou partidários, e terão a função de ajudar a fiscalizar a aplicação da lei nos diversos bairros da cidade do Rio de Janeiro, visando à recuperação da dignidade dos cidadãos. Entendemos como recuperação da dignidade cidadã a não-aceitação inerte da violência e do terror, a obediência aos deveres e a exigência dos direitos. Esses compreendem o direito a escolas que eduquem, a postos de saúde e hospitais equipados e suficientes para toda a população, a uma polícia que nos proteja, a variadas formas de acesso aos bens culturais. Precisamos de pais e mães que recuperem o controle sobre seus filhos, precisamos de um poder público presente em todos os bairros de nossa cidade.
Nós, cidadãos cariocas e fluminenses, pagamos caro por nossos direitos. Queremos cidadania integral para todos. É assim que entendemos o combate à violência que nos aterroriza. Precisamos ter a certeza de que alguém está do nosso lado, cumprindo seu dever, zelando por nossa tranqüilidade, por nossa paz. Não queremos inércia, inoperância, palavras vazias e promessas vãs. Vamos dar o exemplo. Basta de guerra. Queremos paz. Somos de paz.
Cyana Leahy, escritora
Movimento RIO EM PAZ
Cleyde Prado Maia
Rosane Gofman

Medalha José Cândido de Carvalho
Recebi a Medalha José Cândido de Carvalho, como escritora, no Plenário da Câmara Municipal de Niterói, no dia 07 de abril de 2008. Com todo o prazer e alegria deste mundo! Vejam fotos na galeria de fotos!